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Conclusões do Encontro Internacional - Castelos das Ordens Militares

Tomar, 22/08/2012

Decorreu, entre 10 e 13 de Outubro, no Convento de Cristo o Encontro Internacional - Castelos das Ordens Militares.

Veja AQUI a galeria de fotos deste Encontro Internacional.

 

CONCLUSÕES

Durante quatro intensos dias realizámos em conjunto um percurso pelas fortificações das principais Ordens Militares, desde a Península Ibérica ao Báltico e ao Médio Oriente.
Foi possível conhecer os últimos avanços nos estudos sobre essas fortificações, em boa medida resultantes de investigações arqueológicas mas também alicerçados em consistentes investigações documentais.
A marca da arqueologia, o peso dos seus contributos para a compreensão da evolução construtiva, da organização espacial e dos registos dos quotidianos de paz e de guerra, ganhou uma expressão notável e merecida, a estimular. Lembremos, a título de exemplo, os programas de escavação sistemática apresentados nesta reunião, como os de complexos castrais de Marqab (Síria), Calatrava la Vieja (España) e, mais pontualmente, os do castelo de Tomar (Portugal) ou os de Miravet e Gardeny (España).

Foi possível, apesar de se tratar de realidades muitas vezes distantes geograficamente, encontrar linhas comuns, nomeadamente ao nível de algumas características físicas, da gestão do espaço, do seu papel na economia, entre outros.
Porém, estes dias de debate permitiram também registar diferenças, rupturas e descontinuidades, em realidades próximas ao nível físico. Efectivamente não se pode aceitar a existência de um modelo único na arquitectura destas Ordens mas uma infinidade de exemplos dispersos no tempo e no espaço. O modelo do salão em torno de um pátio, expressão da solidariedade dos freires, restringe-se à Terra Santa do séc. XII. Por toda a parte na Europa, o que se fez foi combinar as funções de um convento, de uma fortaleza, de uma residência, de uma quinta, impondo-lhes os símbolos da feudalidade, que são os da classe aristocrática donde saíram as elites dos cavaleiros. Sobre a questão da diferenciação entre a arquitectura dos Hospitalários e dos Templários, a resposta parece ser não. Note-se, no entanto, que o caso da Península Ibérica é distinto na história das Ordens Militares, pois aqui o esforço de guerra foi constante nos séculos XII a XIV. Para além disso, há que admitir uma dicotomia forte entre as comendas rurais da Europa e a dimensão das fortalezas nas fronteiras do Islão e da ortodoxia, que para serem erguidas capitalizavam meios avultados num curto espaço de tempo.

Uma série de recomendações podem ainda elencar-se, na perspectiva de novos projectos, com o objectivo comum de valorização do conhecimento das fortificações das Ordens Militares:

1. A importância de estudar os castelos das Ordens Militares por si próprios e não como cenários de períodos históricos;

2. A importância de estimular, na Península Ibérica, o entendimento da herança muçulmana - permanências e influências -, nos castelos das Ordens Militares, a sociedade militarizada em que se inserem e os próprios processos de encastelamento;

3. O interesse de começar a inventariar as repercussões, quiçá "projecções" dos castelos das Ordens Militares em África e no Brasil, decorrentes das experiências expansionistas ibéricas;

4. Enfim, a importância de criar equipas pluridisciplinares (arqueólogos - historiadores - arquitectos) para estudar os castelos das Ordens Militares e as paisagens em que se inserem, para além da desejável organização de redes internacionais que facilitem o acesso e a partilha de informação nesta temática.

O Comité Científico do Encontro

Denys Pringle
Isabel Cristina Fernandes
Joan Fuguet Sans
Miguel Gomes Martins
Nicolas Faucherre
Tomasz Torbus

 

 

 

 

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